domingo, 11 de maio de 2008

Quase - Luís Fernando Veríssimo

Quase...
Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão deum quase! É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo quepoderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quaseamou não amou.Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que seperdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita maniade viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dossorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia", quase quesussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os diasseriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia ovazio que cada um traz dentro de si. Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidadede merecer. Para os erros há perdão, para os fracassos, chance, para os amoresimpossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça detentar. Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando...Fazendo que planejando...
Vivendo que esperando...Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Luís Fernando Veríssimo

Um comentário:

Horta Doméstica e Compostagem Caseira disse...

Olá.
Só p deixar registrado q eu realmente estive aqui.

Bjos